O grupo Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo no Amazonas, emitiu nesta semana mais um sinal de que enfrenta sérias dificuldades financeiras e que reforça a situação pré-falimentar de um gigante da comunicação da região Norte.

Velada como “direcionamento estratégico”, o grupo empresarial anunciou o encerramento das atividades da Fundação Rede Amazônica, após 34 anos de existência.

Em comunicado oficial, a empresa avisa que acabou com os cursos que foram a razão maior da vida da fundação, principalmente os da área de comunicação, de onde saíram muitos dos profissionais que hoje tocam as emissoras de rádio, TV e internet do seu grupo e de outros.

Denunciada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por diversas irregularidades nos compromissos trabalhistas com seus funcionários, a Rede Amazônica, outrora líder de audiência e de captação de verbas publicitárias, vem emitindo sinais de agonia nos últimos anos.

 

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Rastro da internet

Perdendo terreno com o advento dos veículos de comunicação via internet, mesmo sendo dona de duas emissoras de TV, sendo uma delas retransmissora da programação da TV Globo, portais de internet, um deles integrante do G1/Globo, e estações de rádios, a Rede Amazônica vem encolhendo.

Vários profissionais de peso no nível local foram demitidos depois de anos de casa. A maioria foi logo reaproveitada pela concorrência.

Analistas de mercado de comunicação atribuem à falta de investimento na capacitação de seus quadros a principal causa do estado em que se encontra o grupo empresarial.

Ex-funcionários e os mais antigos da empresa dizem que a Rede Amazônica parou de investir na capacitação e atualização de seus trabalhadores. Eram exatamente dos cursos da fundação que saíam os estagiários para preencher vagas que deveriam ser ocupadas por profissionais experientes.

Engessada em uma grade de programação que não lhe dá margem para criar novas formas de se relacionar com o telespectador, a TV Amazonas é a que mais tem sofrido com a perda de espaço no mercado. Os programas locais, segundo avaliam seus próprios funcionários, não passam de reprodução do modo de vida do sul do país, sem liga com os hábitos da região.

“A TV Amazonas não deixa de ser vítima dessa repulsa crescente aos programas da Globo, desde a campanha eleitoral”, disse uma funcionária da empresa. Pipocam nas redes sociais manifestações públicas contra a rede nacional.

Não bastassem isso, o grupo vê ressurgir, do outro lado da rua, com novo fôlego, sua maior concorrente no nicho de verba publicitária de TV, principalmente.

 

O comunicado

 

 

Presença amazônica

Na região Norte, a Rede Amazônica, aos 47 anos, só não está presente nos estados do Pará e Tocantins. Mesmo assim, a empresa fechou 2018 instalando em Belém uma filial da rádio CBN e em negociações para adquirir os direitos da TV Liberal/Globo, do grupo Maiorana.

 

Foto: William Costa/Portal Amazônia (Reprodução)