Todos presos!

Com ordens de prisão já cumpridas, Ramagem segue como único fugitivo da cúpula da organização criminosa de Bolsonaro

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 26/11/2025 às 14:00 | Atualizado em: 26/11/2025 às 14:00

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou nesta terça-feira, 25 de novembro, um dia para a história do Brasil, a execução dos mandados de prisão contra os condenados do núcleo 1 da organização criminosa montada por Bolsonaro para golpe de Estado.

Todos dessa organização que estavam no país já foram presos pela Polícia Federal e completam hoje o primeiro dia de suas condenações.

A exceção é o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que fugiu do país logo após ser condenado no STF, violando ordem judicial. Como consequência, hoje é tratado formalmente como fugitivo.

As prisões consolidam a etapa mais sensível do processo, que reúne militares de comando e máximas patentes das Forças Armadas, operadores políticos e articuladores estratégicos da tentativa de ruptura institucional.

Para o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelos despachos, a captura imediata dos condenados foi essencial para impedir novas articulações, destruição de provas e contatos internacionais.

Por que só Ramagem continua fora da cadeia

Entre todos os condenados do núcleo 1, Alexandre Ramagem é o único que não foi preso porque fugiu do país antes da execução dos mandados.

O deputado deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos mesmo após ter sido proibido pelo STF de sair do território nacional, violando diretamente a ordem judicial.

Desde então, permanece no exterior, em situação considerada irregular pela Justiça, que já o classifica formalmente como fugitivo.

O mandado de prisão preventiva está inserido no Banco Nacional de Mandados de Prisão, tornando-o oficialmente procurado.

A Polícia Federal ainda analisa a solicitação de inclusão do nome dele na lista vermelha da Interpol, passo necessário para capturá-lo fora do país.

Enquanto isso, Ramagem continua a se beneficiar de uma condição que nenhum dos demais condenados teve: escapar fisicamente do alcance da lei e prolongar artificialmente sua ausência, amparado por articulações políticas e pelo uso indevido da estrutura da Câmara dos Deputados, sob a omissão do seu presidente, durante sua rota de fuga.

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Execução dos mandados no Brasil

Nos demais casos, a Polícia Federal cumpriu rapidamente as ordens judiciais, localizando e prendendo todos os envolvidos em diferentes regiões do país.

Segundo os relatórios enviados ao STF, houve cooperação entre unidades regionais, mapeamento prévio de endereços e monitoramento silencioso dos alvos.

Os presos passaram por audiência de custódia e foram encaminhados a unidades federais e estaduais de detenção, conforme definição do próprio Supremo.

A avaliação jurídica interna é de que não há margem para novas manobras ou recursos capazes de alterar o quadro imediato de encarceramento.

Mas ainda não acabou

Com a execução das prisões, Moraes deve agora avançar na fase de consolidação dos efeitos das sentenças, incluindo bloqueios patrimoniais, novas quebras de sigilo e cooperação internacional, como especialmente no caso de Ramagem.

A interlocução com a Interpol será determinante para transformar a fuga do deputado em prisão no exterior.

O caso é comparado ao de outra bolsonarista, deputada Carla Zambelli (PL-SP), que fugiu do país para não ser presa e agora será extraditada pela Itália.

Para integrantes do STF, o panorama é claro: o núcleo 1 está judicialmente neutralizado, com exceção do deputado foragido.

A pressão política, diplomática e policial nas próximas semanas tende a se concentrar integralmente em sua captura.

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Fotomontagem: BNC Amazonas