Voto aberto pressiona ALE-AM na escolha do governador-tampão
Voto transparente na eleição indireta não é unanimidade entre deputados.
Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/04/2026 às 10:24 | Atualizado em: 08/04/2026 às 11:06
A saída de Wilson Lima do governo do Amazonas e de Tadeu de Souza da vice-governadoria abriu, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), uma disputa que mistura rito constitucional e pressão política. Com a vacância simultânea dos dois cargos, caberá aos deputados estaduais escolher, de forma indireta, o governador e o vice que vão cumprir o restante do mandato até 31 de dezembro de 2026.
Embora haja acordo sobre a necessidade de seguir a Constituição, um levantamento do BNC Amazonas mostra que a divergência aparece na forma de conduzir a eleição tampão. Parte dos parlamentares cobra mais transparência, com voto aberto e regras previamente definidas. Outro grupo concentra o discurso na segurança jurídica e no respeito ao regimento da Casa.
É nessa linha que o deputado estadual Dan Câmara (Republicanos) defende uma condução menos protocolar e mais exposta ao escrutínio público. Para ele, a ALE-AM precisa estabelecer critérios objetivos, com prazos adequados para inscrição de candidaturas e ampla divulgação de cada etapa do processo.
“Não se trata apenas de cumprir um rito formal. Estamos diante de uma decisão que influencia o futuro do estado e a confiança da população nas instituições. Por isso, é fundamental que esse processo seja conduzido com transparência, regras claras e respeito à democracia”, afirmou.
Na sua avaliação, o voto aberto virou peça central dessa legitimidade. Dan Câmara sustenta que, num momento de forte impacto político, a população tem o direito de saber como cada deputado se posiciona.
“A escolha precisa ser feita às claras. O voto aberto é um compromisso com a sociedade, que tem o direito de saber como cada parlamentar está decidindo em um momento tão relevante”, afirmou.
Além disso, o parlamentar argumenta que a eleição não pode ser atropelada. Segundo ele, é preciso garantir tempo para que eventuais candidatos se apresentem e para que a sociedade acompanhe o desenrolar da escolha.
“É essencial assegurar tempo suficiente para que candidatos possam se apresentar e para que a sociedade acompanhe cada etapa. A transparência fortalece a legitimidade do resultado e protege a democracia”.
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No PT, o deputado estadual Sinésio Campos segue outra trilha. A posição dele é a de que o modelo da eleição já está definido pela Constituição do estado e pelo regimento interno da ALE-AM.
No seu entendimento, com a renúncia simultânea do governador e do vice, o presidente da casa, Roberto Cidade (União Brasil), assume interinamente por até 30 dias, período em que os 24 deputados escolhem o novo governador e o novo vice.
Para Campos, portanto, o centro da discussão não está na rediscussão do rito, mas no cumprimento das normas previstas para esse tipo de vacância.
Nesse cenário, a eleição indireta precisa ocorrer com segurança jurídica e dentro das balizas institucionais da ALE-AM.
“A população não vota nessa situação. O papel do parlamento é justamente garantir que o processo ocorra dentro das normas previstas na Constituição estadual e no regimento da Assembleia Legislativa, com transparência e segurança jurídica”.
Já o deputado Cabo Maciel (PL) ainda evita antecipar posição. Segundo a resposta enviada por sua assessoria ao BNC Amazonas, ele aguarda um alinhamento partidário antes de se manifestar sobre a disputa, o que sinaliza que o tabuleiro político ainda está em movimento dentro das bancadas.
Do lado do PSD, a deputada estadual Alessandra Campelo também adota um discurso institucional, mas com ênfase na estabilidade da transição.
Secretária-geral da casa, ela afirma que a mesa diretora deve conduzir o processo com serenidade, legalidade e respeito ao devido processo legislativo, para evitar que a eleição tampão seja contaminada por improvisos ou rupturas.
“O momento exige responsabilidade institucional, serenidade e compromisso com a estabilidade do Amazonas. A assembleia cumpre um papel fundamental nesse processo, garantindo que a escolha do governador tampão ocorra dentro da legalidade, com transparência e segurança jurídica”.
Na mesma manifestação, Alessandra reforça que a transição precisa ser tratada menos como disputa e mais como preservação institucional.
“Mais do que uma disputa política, esse é um momento de preservação das instituições. O nosso dever é garantir que a transição ocorra de forma organizada, legítima e com total respeito à democracia”.
Voto transparente
No fim, a eleição indireta no Amazonas já nasce cercada por duas pressões. Uma cobra liturgia legal. A outra exige visibilidade política.
Entre as duas, a ALE-AM terá de administrar não apenas a escolha de um governador tampão, mas também a forma como pretende apresentá-la à sociedade às vésperas das eleições de outubro.
Foto: Hudson Fonseca/Aleam
