Hugo Motta recua e devolve escolta de deputada que o criticou

Presidente da Câmara não suportou críticas às suas últimas atitudes autoritárias.

Publicado em: 13/12/2025 às 20:11 | Atualizado em: 13/12/2025 às 20:16

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou atrás e determinou a manutenção da escolta da Polícia Legislativa Federal da deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), após pedido de reconsideração apresentado pela parlamentar.

Em nota divulgada na noite deste sábado (13), a presidência informou que manterá a proteção de forma provisória até analisar definitivamente o caso, com base em novos elementos que Talíria apresentou.

O Departamento de Polícia Legislativa Federal suspendeu a escolta no dia 8 de dezembro, após emitir parecer técnico. O documento se baseou em informações da Polícia Federal (PF), da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público estadual, que apontaram ausência de ameaças recorrentes à integridade da deputada.

Talíria contestou a decisão e afirmou que não foi comunicada previamente nem teve acesso aos fundamentos que indicariam o fim dos riscos. Segundo ela, a retirada ocorreu logo após discursos críticos à condução de Motta no plenário.

A deputada classificou a medida como possível retaliação política. Sem a escolta oficial, precisou contratar segurança privada para cumprir agenda no Rio de Janeiro, inclusive em ato político-cultural.

Talíria lembrou que convive com ameaças desde o início do mandato. Em 2020, após alertas sobre planos de execução por milicianos, deixou o estado com os filhos e permaneceu cerca de um ano em Brasília.

Ela também questionou os critérios adotados pela Câmara ao comparar seu caso com o de outros parlamentares que mantêm escolta oficial, mesmo em situações semelhantes.

O despacho que suspendeu a proteção citou o Ato da Mesa nº 213/2025, que previa prazo para a escolta e exigia reavaliação periódica. O próprio documento, porém, admite a possibilidade de restabelecimento, agora confirmada de forma provisória.

Saiba mais no g1.

Leia mais

Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados