‘Bolsonaro faz parte do passado: rei morto, rei posto’

Fala de Lula após encontro com Trump

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Mariane Veiga, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 27/10/2025 às 07:54 | Atualizado em: 27/10/2025 às 08:13

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (27), que tratou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito do julgamento de Jair Bolsonaro, que segundo ele “faz parte do passado da política brasileira”.

O encontro ocorreu durante a 47ª cúpula da Association of Southeast Asian Nations (ASEAN) na Malásia, no domingo (26).

Lula foi questionado por jornalistas se teve a impressão de que Trump não estaria mais ‘tão interessado’ em defender Bolsonaro como antes.

“A segunda inverdade que ele [Trump] citou foi a questão do julgamento do Bolsonaro, eu disse para ele que o julgamento foi muito sério, com provas muito contundentes, nenhuma prova da oposição, as provas são relatos das pessoas que estão sendo julgadas. Disse para ele a gravidade do que eles tentaram fazer no Brasil, disse a ele que eles tinham um plano para matar a mim, para matar o meu vice-presidente, para matar o ministro Alexandre de Moraes, e eles foram julgados com direito de defesa que eu não tive quando eu fui processado, e que portanto, isso não está em questão, isso não está em discussão. Ele sabe que rei morto, rei posto, ele sabe, o Bolsonaro faz parte do passado da política brasileira”, disse Lula.


Em julho, Trump publicou uma carta endereçada a Jair Bolsonaro para defender o ex-presidente e criticar a Justiça brasileira pelo processo que envolve a tentativa de golpe de 2022, hoje definida pelo Supremo Tribunal Federal pela condenação de Bolsonaro e outros réus.

Em agosto, o presidente americano elevou de 10% para 50% as tarifas sobre a maior parte das importações de produtos brasileiros e justificou a medida como uma resposta ao que classificou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro.

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Diferenças de lado

Durante o evento, foram abordadas tanto as diferenças ideológicas entre os dois chefes de Estado quanto a necessidade de retomar e fortalecer a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

A suspensão do “tarifaço” era a pauta principal levada por Lula ao encontro com Trump, uma vez que as demais negociações comerciais já vinham sendo conduzidas anteriormente por representantes dos dois países.

O petista também destacou que fez questão de esclarecer inverdades a Trump, como o “déficit” do Brasil com o país americano e o “julgamento injusto” de Bolsonaro, citado por Trump em carta.

“Os Estados Unidos não têm déficit com o Brasil… Essa é a base para retomarmos as negociações”, acrescentou Lula.

Com isso, o Brasil coloca o julgamento de Bolsonaro como parte integrante da nova agenda entre os dois líderes, não apenas uma questão judicial, mas diplomática.

O encontro sinaliza ainda um interesse em normalizar e avançar nas negociações comerciais entre Brasil e EUA, apesar das diferenças ideológicas de Trump e Lula.

Lula se disse otimista com a conversa e que, com mais três reuniões, Trump vai perceber que Bolsonaro era ‘praticamente nada’.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República