China alerta EUA para ‘medidas firmes’ em resposta ao tarifaço

Pequim adverte os EUA e promete retaliação diante das novas tarifas de Trump.

Publicado em: 12/10/2025 às 12:09 | Atualizado em: 12/10/2025 às 12:09

A escalada da disputa comercial entre China e Estados Unidos ganhou novo capítulo neste domingo (12/10), após o Ministério do Comércio chinês declarar que o país “não quer lutar” com os americanos, mas não teme aplicar medidas firmes e correspondentes caso Washington mantenha o plano de impor tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro.

Em nota oficial, a pasta pediu que os EUA “corrijam imediatamente suas ações equivocadas” e “preservem os frutos das negociações” entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, ressaltando que as medidas americanas “prejudicam os direitos legítimos das empresas, abalam o comércio internacional e comprometem a estabilidade das cadeias globais de suprimentos”.

Reação à política sobre terras raras

A decisão de Trump foi uma resposta à ampliação dos controles de exportação de terras raras pela China — minérios estratégicos usados em setores como automotivo, defesa e tecnologia.

O país asiático passou a exigir licença de exportação para qualquer produto fabricado no exterior que contenha terras raras de origem chinesa.

Como a China domina cerca de 90% do processamento global e 60% da extração desses minérios, a medida afeta diretamente cadeias industriais no Ocidente e reacende o esforço dos EUA e da Europa para reduzir a dependência chinesa.

Troca de acusações

Trump classificou a postura de Pequim como “extraordinariamente agressiva” e disse que as restrições chinesas “paralisariam os mercados globais”, especialmente a economia do próprio país asiático.

Ele chegou a ameaçar impor controle de exportação sobre aviões da Boeing destinados à China.

Em resposta, o governo chinês acusou Washington de aplicar um “duplo padrão”, lembrando que os Estados Unidos mantêm mais de 3 mil itens sob controle de exportação, contra 900 da China.

O porta-voz do ministério afirmou que os EUA “ampliam abusivamente o conceito de segurança nacional e impõem jurisdição unilateral sobre produtos como chips e equipamentos semicondutores”.

Impactos globais e próximos passos

A China, no entanto, afirmou que as novas medidas terão impacto limitado e que seguirá “fortalecendo o diálogo internacional” para garantir a segurança das cadeias produtivas.

As tensões aumentam às vésperas do encontro entre Trump e Xi Jinping, previsto para ocorrer na Coreia do Sul durante a cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico).

A reunião deve buscar aliviar o clima após sucessivas rodadas de sanções, que voltam a ameaçar uma guerra comercial em larga escala.

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Atualmente, segundo o Instituto Peterson de Economia Internacional, a tarifa média efetiva dos EUA sobre produtos chineses é de 58%, enquanto a da China sobre importações americanas chega a 32%.

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Foto: Jorge William/G20 via fotospúblicas