A mesa diretora do Senado, assim que retomar os trabalhos, vai receber novamente o pedido do senador Alessandro Vieira (PPS-SE) para instalação da CPI da Lava Toga, uma comissão para investigar os tribunais superiores de Justiça. Apresentado inicialmente em fevereiro, com as assinaturas mínimas necessárias (27), o pedido foi arquivado após dois senadores desistirem da causa.

Vieira, alinhado com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), é ex-delegado de polícia e pela primeira vez disputou cargo eletivo. Venceu o pleito, derrotando caciques sergipanos, com 470 mil votos.

No novo pedido da CPI para investigar o Judiciário, o senador vai incluir um voto-vista do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), no qual afirmou que “nem todos os atos do poder Judiciário estão excluídos da investigação parlamentar”.

Segundo o parlamentar, a caixa-preta da cúpula do Judiciário nunca foi aberta. “Ela se blinda de forma severa. É o único dos poderes que continua intocável – e isso é ruim para a democracia”, justificou a reapresentação do pedido de investigação.

O Senado constitucionalmente pode dar o impeachment de um ministro do STF, mas para Vieira isso não funciona. “Tem 28 pedidos arquivados, sem terem sido apreciados”, afirmou.

O senador foi entrevistado pela Folha, em matéria reproduzida pelo portal Notícias ao Minuto.

 

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado