Raio-X da matança: nenhum tinha mandado, mais da metade de fora do Rio
Relatório tenta justificar massacre no Alemão e na Penha com dados frágeis e vítimas chamadas de “neutralizados”.
Publicado em: 03/11/2025 às 09:12 | Atualizado em: 03/11/2025 às 09:17
O massacre nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, ganhou novas versões oficiais. Nesse contexto, um relatório divulgado neste domingo (2) busca justificar a operação mais letal da história do país, alegando que quase todas as 117 vítimas tinham ligação com o Comando Vermelho.
De acordo com o documento, produzido pela Ouvidoria da Defensoria Pública, são apresentados 115 nomes com fotos e perfis. Conforme nota enviada à imprensa, “mais de 95% dos identificados tinham ligação com o CV” e 54% eram de fora do estado.
Apesar dessas declarações, a própria polícia reconhece que 17 mortos não tinham antecedentes. Ainda assim, o relatório afirma que “12 apresentaram indícios de envolvimento em redes sociais”, embora não haja provas concretas.
Além disso, as autoridades classificaram os mortos como “neutralizados”. Sessenta e dois deles vieram de outros estados: 19 do Pará, 9 do Amazonas, 12 da Bahia, 4 do Ceará, 9 de Goiás, além de registros no Maranhão, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Distrito Federal e Paraíba.
Por fim, a lista também aponta que 97 vítimas tinham histórico criminal e 59 possuíam mandados de prisão em aberto. No entanto, nenhuma delas havia sido denunciada à Justiça, segundo o Ministério Público.
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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
