É mais sério
Publicado em: 16/12/2009 às 00:00 | Atualizado em: 16/12/2009 às 00:00
Ivânia Vieira*
Há uma precarização das instituições no Amazonas. Talvez, alguns se apressem a alegar ser esta uma condição real em todo o País. Têm razão. Mas vale, aqui, o recorte para o Estado e a lembrança necessária sobre os mais recentes episódios envolvendo a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e o Tribunal Regional Eleitoral.
Em tornos desses órgãos vêm sendo feitas denúncias graves. Estranhamente, após o efeito explosivo dessas falas, há uma acomodação no mínimo esquisita porque não elimina de forma transparente a suspeição lançada. Ao contrário, o silenciamento ou, no máximo a defesa pela metade, reforça a sensação do descrédito e da fragilidade a qual essas organizações vêm sendo submetidas.
Hoje, a opinião pública assiste a procedimentos que deveriam provocar ações rigorosas e imediatas de investigação a fim de não permitir o enraizamento da suspeição. Mas a conduta tem sido outra.
Em julho deste ano, o deputado estadual e ex-prefeito Wilson Lisboa afirmou que o Tribunal Eleitoral do Amazonas faz leilão de decisões, disse também que a Justiça do Estado está “entre as mais corruptas do Brasil”. E deixou uma questão: “Quanto custa cada decisão é uma incógnita”.
Na segunda-feira (14), um outro deputado, Liberman Moreno, declarou: “há uma ligeira sintonia entre quem manda e o que o MP faz”. Para Moreno, o órgão age por encomenda.
Ontem, o deputado Ângelus Figueira, em discurso na Assembleia Legislativa, disse “para mim, este juiz (Ari Moutinho, presidente do TRE-AM) não é ético. Como permanecer ali sem se julgar suspeito? O vínculo da família com o governador é antigo”, depois de aponta uma “relação político-partidária promíscua e nociva” entre o presidente dessa Corte e o governador do Estado.
O material produzido pelos parlamentares é farto. Atinge duramente tais instituições. A responsabilidade nessa conduta é clara, afinal, são servidores públicos, detentores de um mandato popular, os protagonistas das denúncias. Apostar no ‘esquecimento’ pode resolver questões de uns poucos, mas atenta contra as instituições e os interesses da sociedade com os quais todas elas têm compromisso constitucional.
*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.
