Brasil reconhece só 29 dos 115 povos indígenas isolados registrados

Falta de confirmação oficial deixa 75% dos registros sem proteção plena e amplia risco diante de mineração e desmatamento.

Publicado em: 13/12/2025 às 15:26 | Atualizado em: 13/12/2025 às 15:34

O Brasil reconhece oficialmente apenas 29 dos 115 povos indígenas isolados registrados pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Os outros 86 grupos seguem sem validação formal do Estado, o que especialistas classificam como um passivo grave de proteção.

Segundo o antropólogo Fábio Ribeiro, coordenador do Observatório de Povos Indígenas Isolados, a ausência de confirmação dificulta ações básicas de defesa territorial. Sem esse reconhecimento, medidas como vigilância, sobrevoos e presença permanente do Estado ficam limitadas.

A Funai admite a lacuna. De acordo com o coordenador Marco Aurélio Milken, limitações institucionais impedem a análise de todos os registros. Ele afirma, porém, que parte desses povos está em áreas já protegidas, como terras indígenas, unidades de conservação ou zonas com restrição de uso.

Especialistas alertam que a maior vulnerabilidade está fora das grandes áreas contínuas de floresta, como o Vale do Javari. Povos localizados no chamado Arco do Desmatamento vivem cercados por rodovias, fazendas, mineração e empreendimentos, o que eleva o risco de violência e expulsão.

Levantamento da ONG Survival International mostra que o Brasil lidera o ranking mundial de povos isolados. Dados do Repórter Brasil indicam que 80% dos registros confirmados ou em estudo estão cercados por pedidos de mineração de terras raras e minerais estratégicos.

A confirmação desses povos é complexa porque segue o princípio do não contato. A existência é comprovada por vestígios como roças, malocas, trilhas, ferramentas e imagens indiretas — um processo que exige equipes treinadas e longas expedições em áreas de difícil acesso.

Atualmente, a Funai mantém 12 equipes de proteção etnoambiental e anunciou a contratação de mil servidores temporários, com prioridade para indígenas. Especialistas avaliam que, sem reforço técnico e institucional, a pressão sobre esses territórios tende a crescer.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil