Candidato ao Senado de Flávio Bolsonaro é preso com fuzil no carro
Apoiado por Flávio Bolsonaro, o pré-candidato Márcio Canella foi preso em flagrante com um fuzil em seu carro.
Publicado em: 07/07/2026 às 15:22 | Atualizado em: 07/07/2026 às 15:22
O pré-candidato ao Senado pelo União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (7/7) pela Polícia Federal (PF). O político, que renunciou ao cargo de prefeito no início de abril de 2026 para disputar uma vaga no Senado Federal com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do deputado estadual Douglas Ruas, foi flagrado com um fuzil .556 no interior de seu veículo.
De acordo com a PF, Canella era inicialmente alvo de um mandado de busca e apreensão na operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro de R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis no Grande Rio, que contaria com a anuência de políticos.
O ex-prefeito foi apontado pelas investigações como o “braço político do grupo”. Após o fuzil de calibre restrito ser localizado pelos agentes dentro de seu automóvel, a prisão em flagrante foi efetuada. A TV Globo apurou que Canella alegou que a arma não lhe pertencia.
Trajetória política e racha com antigos aliados
Márcio Canella iniciou sua trajetória como vereador de Belford Roxo em 2012 e, posteriormente, exerceu três mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante esse período, licenciou-se para atuar como vice-prefeito de Waguinho entre 2017 e 2019.
O distanciamento entre Canella e Waguinho ocorreu nas eleições presidenciais de 2022, quando Canella optou por apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Waguinho aliou-se a Lula. Em 2024, Canella venceu as eleições para a prefeitura de Belford Roxo contra o sobrinho de seu ex-aliado. Ao deixar a prefeitura em 2026 focado na disputa pelo Senado, consolidou sua posição como o candidato ao Senado apoiado por Flávio Bolsonaro na região.
Operação mira rede de lavagem de dinheiro
A Operação Unha e Carne VI cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do Rio de Janeiro, incluindo Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e a capital fluminense.
Outro alvo da ação foi o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Na residência de um dos investigados em Niterói, foram apreendidos carros de luxo, joias, dinheiro e armas.
A Justiça também ordenou o sequestro de bens e a suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas.
As investigações do caso começaram após relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem a movimentação suspeita de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Segundo a PF, os envolvidos podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal.
A ação cumpre as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas), que atribuiu à Polícia Federal a função de investigar as relações e conexões de agentes públicos com facções criminosas.
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Foto: Reprodução redes sociais
