A marcha contra Jesus e a blasfêmia dos fariseus
Lúcio Carril critica o uso político da religião e afirma que correntes neopentecostais se afastaram dos ensinamentos de Jesus Cristo.
Por Lúcio Carril*
Publicado em: 11/06/2026 às 17:00 | Atualizado em: 11/06/2026 às 17:00
Religião sempre teve a ver com política, apesar do Estado reivindicar sua laicidade nos tempos modernos.
O catolicismo foi base ideológica do sistema feudal por mais de mil anos e a igreja católica acumulou riqueza nesse período, chegando a ser a maior proprietária de terras na idade média; quando terra era poder.
Em nome de Deus e de Jesus a Igreja torturou, matou e saqueou.
Com o desenvolvimento do capitalismo, uma outra doutrina religiosa passou a servir aos novos interesses políticos e econômicos. No início, o movimento foi chamado de protestantismo.
A agiotagem e a poupança de dinheiro deixaram de ser coisa do demo e passaram a ser abençoadas pelas orações de pastores. O evangelho foi revisto para atender a nova realidade econômica.
A religião é isso. É uma base ideológica do poder. E como o poder tem sua face nefasta e autoritária, a doutrina é vendida por falsos profetas aos novos fariseus, uma horda de hipócritas que passa longe dos ensinamentos cristãos.
Falo em estrutura de pensamento e em instituição hierarquizada, social e politicamente organizada. Ou seja, em doutrina e igreja.
Essa história, no entanto, não tem só um lado. Dentro da igreja, ou das igrejas, há resistência de homens e mulheres imbuídos do verdadeiro espírito cristão de solidariedade e fraternidade. O problema está na preponderância de falsos pastores, que aprofundaram a instrumentalização da religião como objeto de cobiça e poder.
É isso que está acontecendo no Brasil com o chamado neopentecostalismo.
Essa corrente doutrinária praticamente sepultou o cristianismo enquanto religião dos pobres e se abriu para o vil metal, adquirido através do poder dos exploradores do povo. São pastores fariseus guiando um rebanho de incautos em oposição ao ministério de Jesus Cristo.
Não há um só resquício dos princípios de fraternidade, justiça e solidariedade que orientam o cristianismo nessa corrente evangélica. Seus seguidores são manipulados como um rebanho bovino, levados ao extremo da indignidade quando são postos a serviço da mais hedionda política, aquela que engana e massacra o povo.
Me solidarizo com os bons cristãos, que lamentam tão abjeta blasfêmia contra seu Deus e clamo para que estejam sempre ao lado dos mais necessitados.
Jesus Cristo nunca esteve caminhando ao lado dos opressores e por isso foi vítima deles, mas não se deixou dominar ou enganar.
O autor é sociólogo.*
Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.
