Ana Beatriz na Andifes: uma liderança necessária!

Aldenor Ferreira parabeniza a professora Ana Beatriz de Oliveira por sua eleição à presidência da Andifes e destaca sua trajetória de diálogo, liderança e defesa da universidade pública.

Ana Beatriz de Oliveira

Por Aldenor Ferreira*

Publicado em: 23/07/2026 às 08:53 | Atualizado em: 23/07/2026 às 09:03

Quando escrevi o texto Duas mulheres imprescindíveis, em agosto de 2024, procurei destacar a trajetória da professora Ana Beatriz de Oliveira como uma liderança construída pela coerência, pela coragem e pelo compromisso inegociável com a universidade pública.

À época, ela já conduzia a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com firmeza, serenidade e capacidade de diálogo. Hoje, volto ao tema porque os fatos se encarregaram de confirmar aquela percepção.

Sua eleição para a presidência da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), na gestão 2026-2027, não representa apenas um reconhecimento individual. É, sobretudo, o reconhecimento nacional de uma trajetória construída com competência, diálogo e capacidade de liderança.

Ao escolhê-la para presidir a entidade, as reitoras e os reitores das universidades federais também sinalizam o perfil de liderança que consideram adequado para representar o sistema federal de ensino superior neste novo ciclo.

A nova diretoria da Andifes inicia sua gestão em um cenário que combina avanços recentes com desafios ainda relevantes para as universidades federais. O financiamento público continua insuficiente diante das demandas crescentes da pesquisa, da inovação e da permanência estudantil.

A defesa da autonomia universitária permanece na ordem do dia. A reconstrução das políticas científicas exige diálogo permanente com os diferentes níveis de governo. Além disso, cresce a responsabilidade das universidades na formação de profissionais qualificados, na produção de conhecimento e na busca de soluções para os grandes problemas nacionais.

Os desafios da liderança

Não se trata de uma tarefa simples. Afinal, os desafios exigem uma liderança capaz de dialogar, construir consensos e defender, com firmeza, os princípios que sustentam a universidade pública.

Ao longo de sua gestão na UFSCar, Ana Beatriz tem demonstrado uma liderança que não se baseia em discursos grandiosos, mas na capacidade de construir consensos sem abrir mão de princípios.

Sua firmeza sempre caminhou ao lado da serenidade. Da mesma forma, sua disposição para o diálogo nunca significou concessão quando estavam em jogo a ciência, a educação pública e os valores democráticos. Essas características certamente contribuíram para sua escolha como presidente da Andifes.

A presidência da Andifes exige uma dirigente capaz de ouvir diferentes universidades, compreender as profundas desigualdades regionais do país e, ao mesmo tempo, construir posições coletivas em defesa do ensino superior público.

Ao mesmo tempo, exige alguém que saiba negociar quando necessário, resistir quando indispensável e manter a universidade como patrimônio da sociedade brasileira, jamais como projeto de governo ou de ocasião.

Sua eleição também possui um significado simbólico importante. Em um cenário ainda marcado pela baixa presença feminina nos espaços de maior poder institucional, sua chegada à presidência da Andifes reafirma que competência, sensibilidade e firmeza caminham juntas.

Considerações finais

Continuo acreditando no que escrevi da primeira vez. Há quem ocupe cargos. Há quem lhes dê sentido.

Por isso, mais do que celebrar uma eleição, este texto celebra a chegada de uma liderança preparada para conduzir a Andifes em um período de reconstrução e de novos desafios para as universidades federais.

Em agosto de 2024, escrevi que Ana Beatriz era uma mulher imprescindível. Mais de um ano depois, a realidade apenas confirmou aquela percepção.

O autor é sociólogo*.

Foto: Juntos pela UFSCar.