Governo investe em programa de soberania alimentar na terra indígena ianomâmi
Primeira unidade do programa é instalada em território sob atuação permanente da Casa de Governo, Forças Armadas e órgãos federais.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 02/02/2026 às 09:56 | Atualizado em: 02/02/2026 às 09:56
A implantação da primeira unidade do Programa de Soberania Alimentar na terra indígena ianomâmi representa um passo estruturante do governo Lula em um território marcado por uma crise humanitária sem precedentes, agravada pelo avanço do garimpo ilegal, pela devastação ambiental e pela violência associada ao tráfico de ouro e cassiterita.
A iniciativa ocorre após o colapso social vivido pelos ianomâmis nos últimos anos, com registros de fome, mortes por doenças evitáveis, contaminação por mercúrio e desmonte da proteção institucional.
O cenário levou organizações indígenas e entidades de direitos humanos a denunciarem Bolsonaro ao Tribunal Penal Internacional, sob acusações de genocídio e crimes contra a humanidade.
O objetivo do programa
O programa de soberania alimentar busca garantir produção local de alimentos, respeitando modos de vida tradicionais e reduzindo a dependência de ações emergenciais.
A política não pressupõe o fim dos ilícitos: ela atua de forma complementar à presença permanente da Casa de Governo e às operações das Forças Armadas e de outros órgãos federais, que seguem combatendo o garimpo ilegal e as redes criminosas no território.
Prejuízos permanentes
Mesmo com o reforço institucional, o governo reconhece que a pressão sobre a terra indígena Yanomami persiste.
A evasão de divisas associada ao tráfico mineral é impossível de mensurar com precisão, e os impactos sanitários e ambientais acumulados ainda exigem respostas contínuas do Estado.
A nova unidade não encerra a crise, mas marca uma inflexão na política pública: além da repressão ao crime ambiental, o Estado passa a investir em medidas estruturantes para reconstruir segurança alimentar, dignidade e autonomia dos ianomâmis em um território historicamente violentado.
Leia mais
A fome não nos pertence
Foto: Lohana Chaves/Funai
