Outras garfadas no futebol
Robério Braga analisa o desempenho da Seleção Brasileira e questiona se interesses econômicos e políticos estão afastando o futebol de sua essência esportiva.
Por Robério Braga*
Publicado em: 25/07/2026 às 12:16 | Atualizado em: 25/07/2026 às 12:16
Como todo brasileiro sou apaixonado por futebol, o esporte nacional, ainda que não seja daqueles fanáticos que vão a campo assistir qualquer pelada, torcem e sofrem a ponto de entrar em desespero. Rionegrino de coração, acabei acostumado com vitórias e derrotas e compreendi muito bem quando o meu clube abandonou os campos.
Assisti os jogos do Brasil de camarote, na varanda de casa, cercado de familiares queridos com muita animação e entusiasmo, mas procurando retirar confiança do fundo do poço em que era perceptível que nosso time se encontrava.
E falo disso porque ainda não mandei a tristeza embora depois de tudo que aconteceu e da apatia que dominou nossos jogadores contra a Noruega, e ela está ruminando dentro de mim à espera da próxima Copa do Mundo, a qual desejo venha com ídolos que possam ser admirados e que a grande imprensa não os destrua por desconhecer que, sendo humanos, todos terão lá seus pecaditos.
Afinal, foi isso que fizeram com o Neymar e depois queriam que ele tivesse uma vara de condão para resolver o problema daquela partida em apenas vinte minutos de jogo.
No caso da nossa seleção, dizem os cronistas especializados, vários fatores políticos, técnicos e de organização, além de contusões de atletas, teriam levado ao resultado que nos decepcionou.
Não sei se o leitor concorda, mas nossa maneira de jogar futebol se perdeu no tempo, pois desapareceu a ginga, a criatividade, o improviso e a leveza que caracterizavam o jeito brasileiro de tocar a pelota. Perdemos a alegria de brincar de bola.
Interesses econômicos e o futuro do futebol
Porém, o caso que mais intrigou, sem dúvida, foi a trama de proteção que parece ter sido armada sobre o time da Argentina, como se os “hermanos” precisassem disso para se tornarem campeões do mundo mais uma vez.
A teia de interesses econômicos há de ter influído na política interna da entidade organizadora do campeonato a ponto de ser merecida a reação aberta e franca do técnico do time do Egito, em jogo oficial. Ele não mediu palavras e denunciou o que chamou de “partida manipulada”, pênalti não validado a favor do Egito e revelou que haviam feito objeção à escolha de juiz francês.
Verdade se diga, nesse jogo teve de tudo que se possa imaginar visando facilitar, se não favorecer a Argentina, até a anulação de um gol por falta que teria acontecido bem antes de inúmeras jogadas que levaram a essa finalização. Essa foi a decisão mais gritante contra os egípcios, mas no decorrer da partida, aqui e ali e sempre que podia, a atuação do árbitro demonstrava certa tendência.
Cheguei a ouvir dizer coisa acertada que tudo isso aconteceu além da invenção do intervalo de hidratação que cortava o ritmo da partida, mas abastecia os cofres dos organizadores com mais verbas publicitárias.
Nesse último campeonato mundial ainda se deram episódios que entristecem: a anulação de cartão vermelho por decisão estranha ao jogo, o desprezo do juiz ao sinal do protocolo antirracismo, o impedimento de jogadores do Irã permanecerem em solo da competição, o silêncio do VAR em pelo menos uma ocasião decisiva na partida da Argentina versus Egito, o impedimento de ingresso de um juiz designado para atuar na Copa, no território do país sede… e “otras cositas más” que nem vale relembrar.
O ponto principal a ser observado, sem dúvida, é que o esporte que sempre serviu para unir os povos, promover o congraçamento mundial, levar as torcidas ao abraço e os jogadores à disputa, mas valorizando o “fair play”, parece que vai perdendo essa essência e prevalecem outros interesses. Ou será que eles sempre prevaleceram e não nos dávamos conta disso?
O autor é membro da Academia Amazonense de Letras.*
Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.
