Ato em Manaus denuncia anistia disfarçada a Bolsonaro e seus golpistas
Manifestação critica texto aprovado pelos deputados que, na prática, abre caminho para anistiar Bolsonaro e outros condenados.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 14/12/2025 às 10:48 | Atualizado em: 14/12/2025 às 10:48
Manaus recebeu, na manhã neste domingo (14 de dezembro), uma manifestação contra o projeto aprovado na Câmara dos Deputados que altera regras de dosimetria das penas. Para os organizadores do ato, o texto funciona como uma anistia disfarçada, com potencial de beneficiar Bolsonaro e outros condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
A concentração ocorreu na faixa liberada da avenida Getúlio Vargas, no centro, reunindo partidos de esquerda, entidades estudantis, sindicais e movimentos sociais.
O grupo seguiu em caminhada até a esquina da rua 7 de Setembro com a avenida Eduardo Ribeiro, onde foram feitas falas políticas e críticas diretas ao Congresso.
O protesto se insere em uma mobilização nacional contra a proposta, aprovada pela Câmara de Hugo Motta, com votos de deputados do Amazonas, em meio à pressão da base bolsonarista.
Embora apresentada formalmente como um ajuste técnico no cálculo das penas, a mudança é vista por juristas e movimentos sociais como uma manobra para reduzir condenações já impostas e facilitar progressões de regime, atingindo diretamente os envolvidos nos atos golpistas da organização criminosa comandada por Bolsonaro.
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Anistia pela porta dos fundos
Na avaliação dos manifestantes, o projeto não trata apenas de parâmetros penais, mas de uma tentativa explícita de reescrever sentenças já confirmadas pelo Judiciário.
A crítica central é que, ao suavizar critérios de dosimetria, o Congresso invade competências da Justiça e cria um atalho político para esvaziar condenações que atingem o núcleo bolsonarista.
Entidades como a União Estadual dos Estudantes do Amazonas, sindicatos da educação e movimentos de mulheres classificaram a proposta como uma afronta ao Estado de Direito e um recado de tolerância à violência política.
Para os organizadores, o texto aprovado na Câmara, e que será votado nesta semana no Senado,reforça a percepção de que há maioria disposta a proteger Bolsonaro e aliados, mesmo após decisões judiciais.
A promessa dos manifestantes é ficar de olho no posicionamento dos senadores do Amazonas, os três com pretensões eleitorais em 2026.
O primeiro deles é o senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato a governador do estado.
Os demais, Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB), estão com suas cadeiras em jogo, ameaçados por pré-candidatos bolsonaristas, que surgem fortes nas pesquisas. Por exemplo, Wilson Lima (União Brasil) e Alberto Neto (PL).

“É uma manifestação não concordando com esse encaminhamento da Câmara dos Deputados, quanto a essa Dosimetria. Na verdade, é quase uma anistia, um perdão. Se a gente for analisar, se tentou golpe de Estado, e nesse golpe se pretendia assassinar presidente da República, vice, ministros do Supremo. E, com certeza, se tivesse dado certo, provavelmente, nós estaríamos num clima de guerra no país; provavelmente, muitas perseguições, mortes. Se queriam matar o presidente, imaginem outra manifestação contrária o que que poderia tá acontecendo. A outra: pessoas que destruíram patrimônio público, atentaram com o Estado democrático de direito, a decisão do Supremo é baseada na Constituição e na legislação que trata sobre as pensas, então o que está se pretendendo lá [na Câmara] simplesmente é dizer não, qualquer um pode aplicar um golpe e não tem punição”, disse o vereador José Ricardo Wendling (PT).
Pressão sobre o Senado
Com a aprovação na Câmara, o projeto segue agora para análise do Senado.
Os manifestantes afirmam que a mobilização em Manaus e em outras capitais busca pressionar os senadores a barrar a proposta ou promover alterações que impeçam qualquer efeito anistiador.
Ao final do ato, os organizadores defenderam a continuidade das mobilizações e alertaram que a disputa em torno da dosimetria não é técnica, mas política.
Para eles, o Congresso escolheu um lado ao tentar aliviar penas de crimes graves, colocando-se em rota de colisão com o Judiciário e com a memória democrática do país.
Fotos: divulgação
