Pressionado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o coordenador financeiro da campanha de Dilma Rousseff (PT) em 2014 e ex-ministro Antônio Palocci (PT) quis saber da candidata à reeleição à Presidência da República se era mesmo para liberar R$ 40 milhões da “conta-propina” do Partido dos Trabalhadores para senadores do MDB, entre os quais Eduardo Braga, do Amazonas. Dilma respondeu: “É pra fazer”.

E assim foi que o senador Eduardo Braga, que naquela eleição foi derrotado por José Melo (Pros) ao Governo do Amazonas, recebia R$ 6 milhões desse bolo de R$ 40 milhões.

[…] Conforme relatado pelo colaborador, os pagamentos ocorreram por meio da simulação da prestação de serviços e emissão de notas fiscais fraudulentas, entregas em espécie e doações oficias. Referiu que o senador EDUARDO BRAGA recebeu R$ 6.080.000,00 (seis milhões e oitenta mil reais), […] – Trecho do depoimento de Ricardo Saud à Polícia Federal.

O PT comprava assim o apoio de Eduardo Braga e de outros senadores do MDB, sob a liderança de Renan Calheiros (AL), para que não abandonassem Dilma e se bandeassem para o lado do adversário Aécio Neves (PSDB), como teriam ameaçado a petista.

 

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Agora é com Fachin

Essas informações estão nas mãos do relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. Ele mandou abrir um inquérito para checar dados das delações do ex-executivo do grupo J&F Ricardo Saud e do ex-senador do MDB e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Palocci confirmou todo esse histórico de propina para Eduardo Braga e seus colegas medebistas em recente depoimento à Polícia Federal, no último dia 30 de maio.

O dinheiro saiu de uma conta em nome de Joesley Batista, do grupo J&F, nos Estados Unidos. Palocci era autorizado a pagar propina a políticos usando essa conta.

Batista informou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que mantinha duas “contas-propinas” no exterior para servir a Dilma e ao ex-presidente da República Lula da Silva (PT). Saldo das contas em 2014: 150 milhões, de dólares.

 

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Após o depoimento de Palocci, a Polícia Federal pediu mais 60 dias para seguir nas investigações sobre Eduardo Braga e outros envolvidos na propina do PT ao MDB.

Uma dessas investigações já está ocorrendo. A Polícia Federal reiterou pedido urgente para que a presidência do Senado faça relatório detalhado de todas as pessoas que passaram pela casa oficial do presidente do Senado na campanha das eleições de 2014. O ocupante da residência era Renan Calheiros.

Os delatores já disseram que foi nessa casa que aconteceram as reuniões de partilha da propina.

Recentemente, em 21 de maio, a Polícia Federal ouviu Durval Rodrigues da Costa. Ele foi o homem de Saud para fazer cinco transportes de malas com dinheiro para entregar a Renan Calheiros. No total, Costa repassou ao senador do MDB cerca de R$ 4 milhões, conforme depôs.

Veja o inquérito completo e saiba mais no Blog do Fausto Macedo, no Estadão, e no site O Antagonista.

 

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Foto: BNC Amazonas