Governadores e senador seguem no cargo com julgamentos travados no TSE
Justiça eleitoral demora a julgar ações que podem cassar mandatos, prolongando indefinições que interferem diretamente no próximo pleito.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 30/01/2026 às 11:02 | Atualizado em: 30/01/2026 às 11:03
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chega ao ano eleitoral de 2026 com processos de alto impacto político ainda sem desfecho. A postergação de julgamentos que envolvem governadores, senador e deputado mantém mandatos sob contestação em pleno exercício, criando um cenário de insegurança jurídica e influência direta sobre alianças, palanques e estratégias eleitorais.
As ações, todas originadas nas eleições de 2022, avançaram parcialmente no TSE, mas acabaram suspensas por pedidos de vista ou adiamentos sucessivos, sem data definida para retomada.
Na prática, a demora transforma o tempo em fator político.
Antônio Denarium (Roraima)
O governador de Roraima responde a ação por abuso de poder político e econômico. O tribunal regional determinou a cassação do mandato, decisão que foi levada ao TSE. O julgamento chegou a ser iniciado, com votos favoráveis à perda do cargo, mas permanece inconcluso. Enquanto isso, Denarium (PP) segue no comando do estado e plenamente ativo no cenário político local.
Cláudio Castro (Rio de Janeiro)
O governador do Rio de Janeiro enfrenta processo semelhante no TSE, também relacionado a irregularidades na campanha de 2022. A relatoria votou pela cassação, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista. A indefinição mantém Castro (PL) no cargo e com capacidade de articulação política em um dos principais colégios eleitorais do país.
Jorge Seif (Santa Catarina)
No Congresso Nacional, o senador Jorge Seif (PL) aguarda decisão do TSE em ação que discute a cassação de seu mandato por suposto abuso de poder econômico. O processo foi pautado, teve início, mas acabou suspenso. A permanência do senador no cargo reforça o peso institucional da demora, já que envolve diretamente a composição do Senado.
Maurício Marcon (Rio Grande do Sul)
O deputado federal do Podemos também responde a ação de cassação no TSE. O julgamento avançou com votos no mérito, mas foi interrompido antes da conclusão. O caso integra a lista de processos eleitorais que atravessam mais de um ciclo político sem decisão definitiva.
Demora que vira fator eleitoral
A repetição de pedidos de vista e a ausência de prazos objetivos para conclusão desses julgamentos ampliam críticas à atuação do TSE diante de casos que envolvem figuras centrais da política nacional.
Na prática, a demora preserva mandatos sob questionamento e permite que seus ocupantes utilizem a visibilidade e a estrutura institucional para influenciar o debate público e o próximo pleito.
Em um ano eleitoral, essa indefinição deixa de ser apenas um problema processual. Ela interfere diretamente na igualdade de condições entre candidatos, distorce o ambiente de disputa e alimenta a percepção de que decisões sensíveis são empurradas para depois do momento em que poderiam produzir efeitos reais.
Justiça tardia e impacto democrático
Ao iniciar 2026 sem resolver ações capazes de alterar a correlação de forças políticas em estados e no Congresso, o TSE se vê diante de um dilema institucional.
A corte responsável por garantir a lisura das eleições mantém em aberto julgamentos que questionam a legitimidade de mandatos em curso.
Mais do que um acúmulo de processos, a postergação expõe um problema estrutural: quando a Justiça eleitoral demora, o calendário político avança.
E, nesse intervalo, a influência dos julgados provisórios se consolida, muitas vezes antes que a Justiça chegue a uma resposta definitiva.
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Fotos: Wilson Dias/Agência Brasil e Rafael Campos/Gov RJ
