Inércia pública agrava perigo em áreas de risco de Manaus

Comissão da Câmara dos Deputados vistoria pontos críticos da capital sob chuva e aponta falhas estruturais em ações de prevenção

Amom Mandel

Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/04/2026 às 18:00 | Atualizado em: 09/04/2026 às 18:53

Uma visita técnica da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados, liderada pelo deputado Amom Mandel (Republicanos/AM), expôs nesta quinta-feira (9 de abril) a vulnerabilidade de milhares de famílias em Manaus.

Sob chuva forte, a fiscalização percorreu bairros como Mauazinho e Jorge Teixeira, na zona leste e sul, onde o cenário de erosões e deslizamentos evidencia a omissão do poder público e a falta de integração entre as esferas municipal e estadual.

A inspeção revelou um preocupante “jogo de empurra” institucional.

Enquanto a defesa civil do Amazonas condiciona sua atuação ao esgotamento da capacidade municipal, a defesa civil de Manaus alega ter “plena capacidade” de resposta. É uma afirmação que contrasta com a realidade de 112 mil pessoas vivendo em 438 setores de alto risco na capital.

“O pessoal da defesa civil do estado disse que legalmente para eles atuarem existe uma cadeia, mas a defesa civil do município diz que aciona o estado, mas não tem retorno”, afirmou o deputado durante a vistoria.

Falhas de engenharia e gestão

No bairro Mauazinho, o diagnóstico técnico é contundente: falhas na tubulação da própria prefeitura transformaram pequenas erosões em crateras, devido ao manejo inadequado de águas pluviais.

A solução paliativa do auxílio-aluguel, estagnado em R$ 600, também foi alvo de críticas por ser insuficiente para garantir moradia digna e distante da rede de apoio dos moradores.

Alerta tardio e falta de infraestrutura

A fiscalização também colocou em xeque o sistema “Defesa Civil Alerta”.

Moradores relataram que as mensagens via celular muitas vezes chegam após o início dos temporais.

Além disso, a ausência de sirenes físicas, um equipamento padrão em outras capitais com riscos geológicos, demonstra a desconexão do planejamento urbano com a urgência vivida nas encostas.

“A sirene complementa porque nem sempre o celular tá carregado. Com a sirene é quase impossível da pessoa não ter ciência do que acontece”, avaliou o consultor legislativo da comissão, Rafael Vargas.

A visita técnica reforça que a tragédia em Manaus é previsível.

O que falta não é o mapeamento do risco, mas a execução de obras estruturantes com os recursos federais já disponíveis, que seguem paralisados enquanto famílias aguardam por segurança.

*Colaborou a Redação do BNC Amazonas.

Foto: BNC Amazonas