Racha de Almeida com Aziz ameaça reeleição de Eduardo Braga
Senador se equilibra entre fidelidade a Omar Aziz e aliança com David Almeida.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 09/02/2026 às 19:01 | Atualizado em: 09/02/2026 às 19:03
A decisão do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), de se afastar politicamente do senador Omar Aziz (PSD) para alimentar sua própria ambição de disputar o Governo do Amazonas em 2026 colocou o senador Eduardo Braga (MDB) em uma posição delicada e cada vez mais exposta.
O movimento de Almeida rompe, na prática, o grupo político que se consolidou em 2024, responsável por sua reeleição à Prefeitura de Manaus e que tinha como pilares justamente Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB).
Foi esse mesmo grupo que, ainda em 2025, lançou publicamente a pré-candidatura de Aziz ao governo estadual.
Com o racha público entre Almeida e Aziz, contudo, Braga passou a ser pressionado publicamente a se posicionar: manter fidelidade ao aliado histórico, que concentra força eleitoral no interior do estado, ou preservar a aliança com o prefeito da capital, onde o senador enfrenta rejeição elevada e uma reeleição considerada difícil.
Resposta calculada, em cima do muro
Questionado pela imprensa nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, durante a abertura do ano legislativo da Câmara Municipal de Manaus, Braga optou por uma resposta cuidadosamente calculada.
Evitou romper com qualquer dos lados, reforçou o discurso da união e tentou manter simultaneamente os dois vínculos políticos.
O senador afirmou que tem caminhado “o estado todo” ao lado de Aziz, destacando que isso é visível em suas viagens e agendas públicas, inclusive na capital.
Ao mesmo tempo, fez questão de lembrar que apoiou Almeida, pediu votos para sua reeleição e segue ajudando a cidade de Manaus.
A estratégia discursiva busca manter portas abertas, mas também evidencia a dificuldade de conciliar projetos que agora caminham em direções opostas.
União no discurso, divisão na realidade
Ao afirmar que “sempre defendeu a união” e que acredita que ela tornará o Amazonas “mais forte de novo”, Braga recorre a um discurso que contrasta com a realidade atual do grupo político.
A divisão não nasceu de divergências programáticas, mas de projetos pessoais incompatíveis dentro de uma mesma aliança.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que a decisão de Almeida de romper com Aziz inviabilizou qualquer construção unitária.
O prefeito passou a operar um projeto próprio, forçando aliados a escolherem lados em um cenário ainda informal, mas já claramente polarizado.
Dilema eleitoral de Braga
Para Braga, o dilema é ainda mais sensível. Manter-se fiel a Aziz significa preservar uma base sólida no interior do estado, onde o senador ainda mantém influência.
Romper com Aziz, por outro lado, poderia significar isolamento político fora da capital.
Já alinhar-se integralmente a Almeida pode garantir alguma proteção eleitoral em Manaus, mas não resolve o problema central: a alta rejeição do senador no eleitorado da capital, fator que pesa diretamente em uma reeleição ao Senado.
Herança política em xeque
Braga e Aziz compartilham a mesma formação política, forjada na escola de Amazonino Mendes, ex-governador que dominou o cenário estadual por décadas e construiu alianças duradouras baseadas em pactos de longo prazo.
O racha atual simboliza, para muitos observadores, o enfraquecimento desse modelo diante de projetos mais personalistas e imediatos.
Ao evitar uma escolha clara, Braga tenta ganhar tempo. Mas, no ritmo acelerado da pré-campanha de 2026, a neutralidade tende a se tornar cada vez menos sustentável.
No tabuleiro político que começa a se desenhar, a fala do senador não resolve o impasse. Apenas confirma que, diante da ruptura provocada por Almeida, Braga entrou oficialmente em uma “sinuca de bico”. E é ciente que qualquer movimento errado pode lhe custar caro.
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Foto: BNC Amazonas
