Relator descarta tudo contra delação de Cid no julgamento de Bolsonaro
Moraes vota pela validade da colaboração de Mauro Cid, contestada pelas defesas dos réus acusados de tentativa de golpe de Estado.
Publicado em: 09/09/2025 às 09:09 | Atualizado em: 09/09/2025 às 09:09
O ministro Alexandre de Moraes abriu, nesta terça-feira (9), a votação no julgamento de Jair Bolsonaro e sete aliados no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao analisar as preliminares, o relator rechaçou todas as contestações contra o acordo de delação premiada firmado pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid.
“Ressalto que a própria defesa do réu colaborador, em sustentação oral, reafirmou a total voluntariedade e regularidade da delação premiada e afastou qualquer indício de coação”, afirmou Moraes.
O ministro destacou que “todos os depoimentos, sejam policiais, sejam judiciais, todos foram gravados. Em áudio e em vídeo. Resta, portanto, é analisar as novas alegações das defesas em relação à violação”.
Moraes chegou a repreender os advogados por alegarem inconsistências no acordo: “Beira a litigância de má-fé alegar que houve oito depoimentos do delator, insinuando contradições da colaboração”. Ele explicou que “basta a leitura da colaboração premiada para verificar que, por uma estratégia de investigação, a Polícia Federal resolveu, ao invés de um grande depoimento único no dia 28 de agosto de 2023, fracioná-lo em oito depoimentos. Eram oito fatos diversos”.
O relator reforçou que não há ilegalidade no fato de o acordo ter sido fechado com a Polícia Federal. “A colaboração premiada não é privativa do Ministério Público. As discussões foram longas do plenário e, por ampla, a maioria, de 8 votos a 3, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a colaboração premiada é um meio de obtenção de prova. Como meio de obtenção de prova, a polícia também tem o direito de realizar o acordo com o investigado colaborador”, disse.
“Não há nem oito, nem nove, nem quatorze delações. Há depoimentos, oito depoimentos sobre fatos diversos numa mesma delação”, concluiu Moraes.
O ministro votou pela validade da colaboração de Mauro Cid, mas ressaltou que os benefícios ao réu ainda serão avaliados no curso do julgamento.
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Foto: reprodução/YouTube
