O ex-ministro petista Antônio Palocci (Fazenda e Casa Civil) disse em depoimento à 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília nesta quinta-feira, dia 6, que o ex-presidente da República Lula da Silva (PT) acertou pessoalmente com lobista do setor automobilístico pagamentos de propina ao seu filho caçula, Luís Cláudio Lula da Silva, o Leleco.

A contrapartida do governo de Lula eram benefícios viabilizados por MP (medida provisória).

Palocci declarou ter sido procurado por Leleco, entre 2013 e 2014, pedindo ajuda para captar recursos para projetos esportivos. Ele organizava um campeonato de futebol americano no Brasil.

O ex-ministro relatou ter se encontrado com Lula depois, no Instituto Lula, para tratar do assunto. Na ocasião, o ex-presidente teria admitido a combinação ilícita.

“Não precisa se preocupar porque eu já arrumei esses recursos na renovação dos benefícios da Caoa e da Mitsubishi”, teria dito Lula a Palocci.

As duas montadoras conseguiram em 2009 e em 2013, por meio de medidas provisórias, incentivos fiscais para manter suas fábricas na região Centro-Oeste.

 

Lula denunciado pelo MPF

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou em setembro do ano passado o ex-presidente, o ex-ministro Gilberto Carvalho e mais cinco pessoas por, supostamente, vender uma medida provisória de 2009 a montadoras de veículos.

Pela MP 471, o governo prorrogou por cinco anos incentivos fiscais a fábricas instaladas no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.

Outra MP, a 627, renovou em 2013 os benefícios da 471 que estavam por vencer no ano seguinte. Esse caso é tratado em outra ação penal, na qual Lula e o filho caçula são acusados de tráfico de influência.

 

Foto: EBC (arquivo)