Por Fred Melo*

 

A Semana é Santa e exige reflexão ampla sobre nossas culpas, atos e omissões para alguns graves problemas que vivemos neste Estado abençoado por Deus. Temos uma economia pujante e um tecido social destroçado por mesquinharia e ganância. Temos uma concentração de grupos aquinhoados e um exército de marginalizados deste banquete oportunista. Reclamamos do governo e sua ganância tributária, mas reproduzimos em nossas atividades as mazelas do obscurantismo e a promiscuidade das bandalheiras institucionalizadas.

O maior exemplo disso é o abandono da atividade comercial por parte do poder público ganancioso, que nos obriga a trabalhar 5 meses por ano para sua gastança irracional e pelas entidades de classe que não nos representam, fazem de suas casas um castelo majestoso de regalias imperiais. São 6 entidades que não se acolhem, ou ignoram o verbo repartir para somar parcerias de defesa do comerciante e do comerciário.

A mais opulenta das entidades, aquela que nada de braçadas no continuísmo oportunista, representa apenas a vaidade de seu dirigente perpétuo, indiferente às demandas mais simples deste setor que deu suporte aos acertos da Zona Franca de Manaus, em seus 51 anos de existência. Sua composição institucional é essencialmente distorcida pois foca nos negócios da família e dos chegados mais fiéis. Ou seja, aqueles que dizem amém a perpetuação do poder e regalias.

Uma a uma fomos perdendo as vantagens compensatórias de atuar numa região remota porque essas questões não constam das prioridades dessa pseudo-representação. E se temos que repensar em nossas culpas é porque, através de atos e omissões, fomos coniventes com essa imoralidade institucionalizada.

Vejamos como funciona: na edição de março, o Jornal do Comércio publicou um Aviso de Registro de Chapa que concorrerá à eleição para Presidência e demais cargos para eleição da FECOMERCIO, cujo edital de convocação da eleição foi publicado  no dia 08/02/2018. À chapa é, praticamente, a mesma há 4 décadas.
Ela reproduz um arranjo familiar e de amigos que ocupam cargos em Conselhos remunerados de atuação da entidade. Meia-dúzia de gatos pingados chamado de sindicatos cuja principal função é dizer amém a vontade do Rei e orar por sua perenidade.

Curioso é não saber porque – diante de tantos danos a comerciantes e comerciários – as autoridades constituídas se omitem diante da ilegalidade, da irresponsabilidade e contravenção. Consta No Portal do MTE que o Sindicato do Turismo, a atividade que mais poderia gerar emprego nos negócios do Amazonas arrecadou em 2016,  apenas R$ 4.000,00 (quatro mil reais), o tamanho de sua representatividade.

São entidades assim que  dizem amém ao desvio de finalidades do Fundo de Turismo e de Interiorização do Desenvolvimento, pago pelas empresas incentivadas do Amazonas, e usado para financiar despesas correntes do Estado, quase 1 bilhão por ano. A nova gestão da Amazonastur quer reativar o turismo de compras dos produtos fabricados em Manaus. Trata-se de uma iniciativa meritória e que deveria ter as entidades do setor comercial alinhadas e, por isso, fortalecidas. Não estão.  Por isso esta Federação é menor do Brasil, em número de Sindicatos  associados, e credibilidade. Importa-lhe sobretudo manter parentes e amigos no banquete indecente da contravenção. Chegou a hora, vamos reagir, construir, com transparência e impaciência.

Muda, comércio!!!

 

*O autor é empresário dos segmentos de produtos regionais e publicidade

 

Ilustração: Reprodução/blogspot ateneonavalcarnero