Deputados de esquerda e direita se arrependem por apoiar PEC da blindagem
Deputados de esquerda e direita se arrependem e pedem desculpas pelo voto a favor da PEC da blindagem, mas amazonenses mantêm posição.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 19/09/2025 às 18:57 | Atualizado em: 19/09/2025 às 22:35
Aumenta o número de parlamentares, especialmente deputados federais, que se arrependeram de votar a favor da Proposta de Emenda à Constituição, que amplia o foro privilegiado a parlamentares e autoridades federais (PEC 3/2021), a chamada PEC da blindagem.
O texto foi aprovado na última terça-feira (16 de setembro), por 353 votos a 134 no primeiro turno e por 344 a 133 no segundo.
* Dos oito deputados federais do Amazonas, cinco votaram a favor da PEC.
Dessa forma, os mais arrependidos são os deputados federais da esquerda, de partidos como PT e PSB, que dizem ter sido “enganados” nas negociações com os líderes do centrão.
No entanto, uma das grandes surpresas foi a deputada federal Silvye Alves (União Brasil-GO). Ela usou as suas redes sociais nesta quinta-feira (18/9) para se desculpar com os seus eleitores pelo voto a favor da PEC da blindagem.
A parlamentar expôs no vídeo que inicialmente teria votado contra, porém, mudou seu voto horas depois cedendo à pressão de pessoas influentes.
Em vídeo, Silvye disse que votou coagida, que errou, e que seu voto não representa o que acredita nem seu compromisso com a população. Por isso, pediu desculpas públicas.
Eu vim aqui humildemente pedir desculpas aos meus eleitores. Eu cometi um erro gravíssimo na última terça-feira durante a votação ali da PEC da blindagem. Eu fui contra tudo aquilo que eu defendo, tudo aquilo que eu acredito. Quem me conhece nesses 28 anos de televisão sabe o quanto eu detesto bandido, quanto eu luto para colocar vagabundo na cadeia”, declarou a deputado goiana.

“Fui covarde”
Silvye contou que, inicialmente, votou contra a proposta. Mas, a partir desse momento, começou a receber muitas ligações de pessoas influentes do Congresso Nacional.
“Ligaram dizendo que a votação é contra e eu sofreria retaliações. Enfim, eu não sei que tipo de retaliação um deputado federal sofre. Poderia sofrer dentro da Câmara dos Deputados. Eu fui covarde e cedi à pressão. Não fui forte, por isso quero pedir perdão a vocês”.
O União Brasil deu 53 votos favoráveis, cinco contrários e duas ausências. O placar geral foi
Pedido de desculpas
Quem também pediu desculpas aos eleitores, pelo voto “sim” à PEC da blindagem, foi o deputado federal Pedro Campos (PSB-PE). Nas redes sociais, admitiu que não escolheu o melhor caminho

Campos afirmou ainda que votou sob um entendimento de que haveria um acordo para retirar do texto pontos considerados mais problemáticos, mas que esse acordo não foi cumprido.
“Pela forma como foi conduzida a manobra na PEC e a votação da anistia eu estou entrando com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para que anule a votação e a manobra que foi feita para a volta do voto secreto”.
Dos 16 deputados do PSB, nove deles votaram a favor da PEC da blindagem no segundo turno da votação.
Petistas admitem erro
Por sua vez, Airton Faleiro (PT-PA) admite erro em voto favorável à PEC da blindagem e afirma ter corrigido posição em segundo turno.
Faleiro disse esperar que a mudança de posição seja compreendida como um episódio isolado em sua trajetória política
O parlamentar explicou que o voto inicial foi fruto de uma estratégia de negociação para tentar barrar a urgência do projeto da anistia, mas afirmou que, ao perceber o equívoco, mudou de posição e votou contra a proposta no segundo turno da mesma noite.
Dos 78 deputados da bancada do PT, 12 deles votaram a favor da PEC da blindagem.
Amazonenses sem arrependimento
Pelo menos, os cinco deputados federais do Amazonas, que votaram a favor da PEC da blindagem, estão sem qualquer remorso ou arrependimento, já que não fizeram nenhum “mea culpa” nas redes sociais.
São eles: Adail Filho e Silas Câmara (Republicanos), Alberto Neto (PL), Fausto Santos Jr. e Paderney Avelino, ambos do União Brasil.

Pelo contrário, Alberto Neto divulgou discurso que fez, no dia da votação, em suas redes sociais.
“Ninguém aceita mais ser chantageado pelo STF, quem deveria estar guardando a Constituição, estar chantageado o senador e deputado. Estão surgindo diversas fake news aí. Além do mais, hoje teve uma reunião com o [Eduardo] Tagliaferro, onde foi comprovada o abuso de autoridade do ministro Alexandre Moraes. Logo, a PEC das prerrogativas foi essencial para que o deputado e o senador tenham independência, possam representar de maneira digna o povo”.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
