O BO (boletim de ocorrência) que o candidato a governador do Amazonas pelo PSC, Wilson Lima, de 42 anos, fez em 7 de maio de 2014, às 15h51, sobre o escândalo que foi denunciado pela revista Veja nesta quarta, dia 12, de um jantar com uma adolescente de 14 anos em Manaus, ocorrido dois anos antes, não foi feito por um escrivão, como é prática das delegacias.

Quem registrou, aprovou e classificou como “confidencial” a ocorrência consumada de injúria dolosa contra Sara Oliveira foi um investigador, de nome Geraldo Pereira do Nascimento Filho. Ele não cita no boletim se Wilson Lima apresentou qualquer prova da denúncia que estava fazendo, como uma fotografia que acusava Sara de espalhar nas redes sociais.

Além disso, tudo de uma vez só, Geraldo Filho determina que o BO e a investigação decorrente sejam transferidos para outra delegacia, a do 16º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no bairro Nossa Senhora das Graças, o Beco do Macedo, na zona centro-sul de Manaus. A Homicídios ficava na zona leste, no bairro Novo Aleixo (antigo Mutirão).

 

Homicídios

 

Essa “ordem” de Geraldo Filho só veio a ser cumprida quase um ano depois, em janeiro de 2015, pelo titular da especializada em apurar homicídios e sequestros, o delegado Paulo Martins.

No boletim, o investigador escreveu que Wilson Lima aceitou jantar com a menina porque ela, “uma de suas inúmeras fãs”, teria insistido muito para se encontrar com o radialista, que é apresentador de programa de TV.

Na “função de delegado”, Geraldo Filho manda, no campo do boletim destinado a informações complementares, junto com o resumo do relato de Wilson Lima, que seja feita audiência do caso, o que nunca aconteceu, segundo o próprio denunciante.

 

Homicídios

 

Geraldo Filho é amigo particular de Wilson Lima e expõe essa relação em fotografias e posts em seu perfil no Facebook.

 

Homicídios

 

Menina acusada foi à delegacia?

Uma fonte policial disse ao BNC Amazonas que causa estranheza a adolescente, que seria vítima na ocorrência, aparecer no BO feito por Geraldo Filho como acusada de injúria dolosa dois anos depois do fatídico jantar, quando ela tinha apenas 14 anos.

“O que teria levado o acusador a registrar uma ocorrência de injúria de dois anos passados? Por que procurar a Delegacia de Homicídios e Sequestros para isso se existe delegacia para crianças e adolescentes vítimas e infratoras? Qual seria a razão de o investigador ter colhido as informações e só registrar em boletim quase 24 horas depois?”, são questões levantadas pela fonte.

Ele faz ainda um último questionamento: “Por que a acusada, no caso a adolescente, estava acompanhando Wilson Lima no registro da ocorrência, quando forneceu números de cinco celulares, e seus dados não foram colhidos?”.

O BO registra que Sara Oliveira, como agente/autora da injúria, esteve presente ao plantão na tarde do dia 7 de maio de 2014.

 

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Idade não era importante para Wilson Lima

“Eu não sei o que importa, eu ir jantar com uma pessoa, a idade nesse momento”. Foi assim que Wilson Lima respondeu a uma pergunta em entrevista ao site Amazonas Atual na tarde desta quinta-feira, 13, ao afirmar que para ele “o caso está resolvido”.

“A situação está resolvida. Eu fui registrar o BO para me proteger. A delegacia ficou de me chamar e de chamá-la [Sara Oliveira] também. Depois disso, ela não compareceu à delegacia. A perseguição cessou e, por mim, o caso se deu por encerrado.”

Ele disse que na época, por conta do programa que apresentava na TV A Crítica, costumava almoçar com fãs, e que não se importava com a idade.

Sobre o escândalo denunciado pela Veja, Wilson Lima confirmou ter percebido que a sua acompanhante no jantar era jovem, mas que não sabia sua idade.

“A política suja é tão rasteira, tão baixa, que começa a inventar as coisas. Estão dizendo aí que eu jantei com uma menina de 12, de 14 anos. Estão dizendo que o boletim foi registrado durante a madrugada. O que é mentira. Foi registrado às 15h e eu entrei pela porta da frente. O que eles estão fazendo é uma facada contra a minha honra”, afirmou.

 

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Nota da coordenação de campanha de Wilson Lima

POSICIONAMENTO CAMPANHA WILSON LIMA

A campanha de Wilson Lima (PSC) esclarece que o candidato está sofrendo ataques rasteiros praticados por integrantes da velha política em razão de estar liderando as pesquisas de intenção de voto para as eleições 2018, na cidade de Manaus.

Prova disso é que, de 2014, data de registro do Boletim de Ocorrência (14.E.0161.0000138) até 30 de junho passado, Wilson Lima apresentou diariamente o programa mais popular da TV amazonense sem que sua conduta fosse questionada. Entretanto, a menos de um mês da eleição, surge uma suposta denúncia, baseada numa situação ocorrida há anos.

O B.O. foi registrado no dia 7 de maio de 2014, às 15h51. Entretanto, os opositores de Wilson Lima afirmam que o documento foi registrado de madrugada, o que não é verdade. O que intriga também é o fato, de apesar do documento ser confidencial, ter sido amplamente divulgado.

Fatos

  • No dia 07 de maio de 2014, o jornalista Wilson Lima, solteiro na época, então apresentador de um programa popular de televisão, registrou o Boletim de Ocorrência (14.E.0161.0000138) por injúria, numa delegacia próxima a sua residência.
  • Segundo o documento, ele saiu para jantar com uma fã. Após o único encontro, a moça passou a fazer postagens nas redes sociais, afirmando ser esposa de Lima. A fã ainda afirmava trabalhar em duas redes de televisão, uma delas era o local de trabalho de Wilson Lima.
  • Apesar do assédio, que gerava grande incômodo, Wilson Lima preferiu não adotar qualquer medida contra a moça para não causar constrangimento. No entanto, a partir do momento que ela passou a entrar em contato com a família do apresentador, ele tomou a iniciativa de registrar um B.O. a fim de preservar a família.
  • Durante mais de dez anos como apresentador de televisão, Wilson Lima participou de encontros, almoços e jantares com centenas de famílias, jovens e idosos para retribuir a grande audiência, que o tornou líder no horário.
  • O B.O. indicava o agendamento de uma audiência. Como a partir do registro, tanto o apresentador quanto a sua família deixaram de sofrer assédio, Wilson Lima deu o caso por encerrado.

      O candidato reforça que sua atitude foi adotada como medida de proteção, no sentido de prevenir consequências dolorosas de perseguição, como a enfrentada pela apresentadora da Record, Ana Hickmann.

 

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Foto: Reprodução/Facebook