Por Neuton Corrêa, da Redação

 

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), tornou pública ontem, em live nas redes sociais, ameaça de exonerar toda a diretoria da Fundação Nacional do Índio (Funai), hoje comandada pelo general amazonense Franklimberg Ribeiro de Freitas.

“Assim como o povo brasileiro tem que dizer o que eu vou fazer como presidente, o índio tem que dizer o que a Funai vai fazer”, disse.

“Se não for assim, eu corto toda a diretoria da Funai.”

Foi em live que fez ontem à noite com lideranças indígenas do país no Palácio do Planalto, em crítica à atuação das organizações não-governamentais (ONGs) nos territórios indígenas.

Há uma semana, em reunião apressada com a bancada federal do Amazonas, Bolsonaro já havia manifestado descontentamento com o trabalho de Franklimberg, que é de origem indígena, e cogitou que poderia demiti-lo, conforme revelou esta semana o jornalista Ronaldo Tiradentes, em seu programa de rádio (89,7 FM).

Na transmissão que Bolsonaro fez nessa quarta-feira, o general Franklimberg participa do momento, mas apenas como peça figurativa, apesar da presença de várias lideranças indígenas, levadas ao presidente por Luiz Antonio Nabhan Garcia, ruralista e Secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura.

Mineração

O presidente a defendeu na ocasião a exploração mineral em terras indígenas, principalmente na área da reserva ianomami, onde, segundo ele, há “bilhões ou trilhões de dólares” debaixo da terra.

“A [reserva] ianomami é riquíssima. Por isso que tem ONG dizendo que tá defendendo índio lá. Se fosse uma terra pobre, não teria ninguém lá. Como é rica, tá lá esses picaretas internacionais, picaretas dentro do próprio Brasil, picaretas dentro do governo dizendo que protegem vocês”, disse, apontando para os indígenas.

No vídeo, os índios defendem ainda o direito de cultivar as terras e produzirem atividades para geração de riquezas.

 

Foto: Reprodução/Facebook