A primeira batalha conquistada ontem, dia 10, pela bancada do Amazonas no Senado para derrubar o decreto do presidente da República, Michel Temer (MDB), que feriu de morte o polo de concentrados para bebidas da Zona Franca de Manaus (ZFM) e deixou cambaleante toda a indústria do estado, pode ter sido fácil, principalmente quando se olha o resultado: 29 a 10, e 6 abstenções.

A guerra, porém, ainda não acabou. A segunda batalha será muito mais complicada.

O campo desse novo confronto é maior e mais complexo: a Câmara dos Deputados.

A Câmara não é o Senado. Para começar, são 81 senadores, enquanto os deputados são 513.

No Senado, o Amazonas tem a mesma força representativa dos outros estados, porque cada unidade da federação tem três representantes.

Já na Câmara, a desigualdade é alta. Se o Amazonas tem a menor bancada da casa, com oito deputados, o principal adversário da ZFM na guerra fiscal e industrial do país tem a maior, com 70 parlamentares.

 

Força da oposição à ZFM na Câmara

A força dos estados que mais atacaram o modelo de desenvolvimento da região Norte, representado pela ZFM, na batalha do Senado, também é exponencial frente à representação amazonense.

O Rio de Janeiro, do senador Lindberg Farias (PT), por exemplo, possui 46 deputados; o Paraná, da senadora Gleisi Hoffmann (PT), 30; e o Rio Grande Sul, da senadora Ana Amélia (PP), tem 31 representantes.

Esses três parlamentares, desses três estados, foram os que mais atacaram o projeto de decreto legislativo da bancada do Amazonas, se posicionando favoráveis ao decreto de Temer.

Não é só isso. O próprio governo federal saiu muito ferido do confronto no Senado ao colocar a Receita Federal, o Ministério da Fazenda e seus representantes na casa contra a ZFM e o Amazonas. Como resultado, teve que engolir uma derrota acachapante.

E mais: parlamentares amazonenses já identificam atividade nos bastidores contra a ZFM à espera do texto que será enviado pelo Senado aos deputados.

 

Argumentos da ZFM contra opositores

A favor do Amazonas há a essência do debate, a ilegalidade cometida por Temer, a ZFM como meio de preservação da Amazônia e a mais que boa vontade dos deputados federais da bancada parlamentar do estado em ano eleitoral.

Fora isso, se serve de consolo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quando ainda presidenciável, demonstrou estar do lado do Amazonas.

É dele a decisão de pautar o tema no momento certo. Ontem mesmo já recebeu pedido do senador Omar Aziz (PSD) para que dê urgência à tramitação do decreto legislativo, conforme prometera o presidente da Câmara em visita à ZFM.

 

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Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados